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No século XV, como prior de Trancoso, PT, o padre usava e abusava de manjares de carne para poder dar asas ao seu hedonismo, dizia a crônica social da época. Não fazia jus à batina que vestia e cobiçava todas as mulheres, de qualquer idade, independentemente de laços familiares à sua pessoa. Conta-se que na sua alcova
se deitaram vinte e nove afilhadas, de onde resultaram noventa e sete filhas e
trinta e sete filhos. Nem as comadres escaparam ao apetite do prior, resultando
daqui o crescimento da sua família com trinta e oito rapazes e dezoito
raparigas. Aos sessenta e dois anos, réu confesso, foi condenado ao degredo de suas ordens e a fazer um city-tour nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeças e mãos em diferentes distritos para que pudesse ser homenageado por toda a população. Necessariamente nessa ordem. Escapou dessa triste sina pelas mãos de D. João II, que argüiu que as contas não batiam e que afinal o homem tinha ajudado a povoar a região da Beira Alta, que disso muito carecia. El-Rey lhe concedeu uma anistia ampla geral e irrestrita e o tomou como conselheiro e contador de causos.
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de
idade de 62 anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas
públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os
quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi argüido
e que ele com irmãs teve 18 filhas; de nove comadres 38 filhos e 18
filhas; de sete amas teve 29 filhos e cinco filhas; de duas escravas teve
21 filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem
teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: 299, sendo 214
do sexo feminino e 85 do sexo masculino, tendo concebido em 53 mulheres". (Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal - Sentença proferida em 1487, no processo contra o Prior de Trancoso - Autos arquivados no armário 5º, maço 7).
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