Velhas Notícias

Padre Américo - O Retorno

(29 de setembro de 2006)

pós um ano de paradeiro desconhecido, o Padre Américo foi localizado em Brasília, no centro do poder, como personal minister do nosso presidente e seus ex-ministros mais chegados. Criticado por correntes conservadoras da Igreja, que não vêem com bons olhos o envolvimento de um santo homem com um partido ligado a tantas tramamóias, maracutaias e safadezas diversas, o santo homem foi categórico: "não vim para os justos, mas para os pecadores".

Depois de aplicar-lhes uma leve a moderada penitência, o santo homem lhes concedeu um perdão amplo, geral e irrestrito, tendo a trinca imediatamente entrado na justiça para receber da paróquia o que lhes é de direito, como é de praxe entre os anistiados.

 

 

Na Pizzeria do Luiggi, o Santo Homem Américo e o Trio Ternura comemoram o sucesso das investigações da Polícia Federal e a eficiência do sistema legal brasileiro.

 

Adeus a um Velho Amigo

(08 de abril de 2005)

om o coração enlutado, o Padre Américo encontra-se em Roma, tendo pegado uma carona no avião novo do seu paroquiano Luis Inácio. O Santo Homem foi prestar sua última homenagem àquele que foi seu companheiro de infância, de seminário, e de luta contra o comunismo, os desvios sexuais, o aborto e o uso de camisinha.

Além disso, o sábio macróbio estará orientando a eleição do novo papa. Eminência parda do alto clero, todos no Vaticano sabem que na verdade é Américo quem escolhe o Sumo Pontífice, restando aos cardeais a confirmação do escolhido

Para uma platéia embevecida, o Santo Homem conta sobre o dia em que teve que abrir mão do papado em favor do seu amigo Karol Józef.

Memórias

A amizade de Américo e Wojtila vem da sua infância na Polônia. Cegueta e Cabeção como os dois amigos eram chamados pelos colegas de escola fãs do futebol, não perdiam uma partida do campeonato polonês.

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No seminário, os dois eram muito parecidos: eram castos, piedosos e não assediavam os coroinhas ou os meninos do coro. Inseparáveis, sempre se podia encontrar Karol à direita de Américo.

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Quando Pio XII fez Wojtyla cardeal em 1967, Américo, que ainda pertencia ao baixo clero, arranjou uma fantasia de cardeal e penetrou na festa para apoiar o amigo.

 

Desde menino, Joséf Wojtyla sempre foi um beijoqueiro. Na faculdade, foi afastado da equipe de boxe porque sempre beijava a lona. Durante o seu papado, beijar objetos de fé, fieis e criancinhas, sempre foi com ele. Ao iniciar sua peregrinação internacional, voltou ao hábito de criança de beijar o solo. E saboreou o mundo. Foi quando o seu amigo Américo tornou-se seu guarda-costas, para evitar que algum malandro se aproveitasse da posição vulnerável do Santo Padre para alguma molecada.

 

A carreira de guarda-costas sofreu um revés temporário quando Sua Santidade foi baleado enquanto Américo sorria para um cinegrafista.

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Homem com capacidade de tudo perdoar, Américo perdoou Mehmet Ali Agca por ter driblado a sua vigilância. Com sua grande capacidade de persuasão, convenceu Wojtyla a também perdoá-lo.

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Igualmente convenceu o amigo a usar uma blindagem no papa-móvel, voltando à sua atividade de guarda-costas, às costas de Sua Santidade, posição bem mais segura.

 

Com Wojtyla, Américo participou do mundo encantado das celebridades. Numa tertúlia musical, no Vaticano,  tocaram guitarra a quatro mãos com B.B.King.

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Ou como quando, na recepção dos pilotos da Fórmula 1, o alemão chegou primeiro para cumprimentar o Sumo Pontífice, deixando o Rubinho desesperado no segundo lugar.

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Em Cuba, convenceram  a uma abertura religiosa El Comandante, que incontinênti encheu a ilha caribenha de adesivos de "Dios és 10" e "Dios és Fidel".

 

A fama de um e o anonimato do outro não enfraqueceu a sua amizade. Quando se encontravam, após algumas taças de vinho de missa, para diversão dos presentes,  Karol sempre fazia sua imitação de Américo

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Tomado pela doença, João Paulo viu esvaírem suas forças. Mas, mesmo quando até o Espírito Santo já batia as asas e tirava o time,  Wojtyla sempre contou com a mão amiga de Américo no seu ombro.

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E até o último momento, Américo esteve ao seu lado.  Morto o amigo,  o provecto sacerdote deu-lhe a extrema-unção fez uma breve oração e, antes que começassem os festejos, se foi.

 

 

Na Crista da Onda

(28 de dezembro de 2004)

e férias em Madras, onde fazia estação de águas, o Padre Américo assistiu de camarote a fúria Divina que atingiu em ondas os nossos irmãos asiáticos.

Acostumado a viver numa terra abençoada por um Senhor dos Exércitos reformado, sem tufões ou vulcões, onde a terra só treme quando o trio elétrico desce a Castro Alves, seu puro coração se confrangeu com o sofrimento dos hereges locais, a quem ajudou nessa maré de má sorte, prestando uma extrema-unção aqui, distribuindo uns santinhos ali, oferecendo uma palavra de consolo acolá, num desentendimento total.

– Um povo curioso – comentou o Santo Homem – Apesar de todos dizerem que adoram vacas, durante toda a minha estada na Índia não encontrei nem uma churrascaria.

 

 

Na praia de Marina, em Madras, Índia, o Santo Homem vê com horror uma grande Tsunami se abater contra o balneário, levando de roldão menino cachorro e papagaio.

 

Missing

(09 de julho de 2004)

 

a sua saída do Iraque, onde esteve a serviço da Santa Madre Igreja, o Padre Américo foi seqüestrado por um bando de terroristas internacionais que se encontrava de bobeira naquele país do Oriente, tendo passado quase um mês em cativeiro, na mão dos hereges que nem uma Ave Maria sabiam rezar.

Homem de infinita bondade e espírito apaziguador, o venerando macróbio acabou criando fortes laços de amizade com seus captores, que após negociações sem sucesso para trocá-lo por militantes da Al Quaeda na Arábia Saudita, por prisioneiros de Abu Ghraib ou por uma foto autografada da Madonna, acabaram por abandoná-lo numa estrada afastada de Bagdad, com o dinheiro do táxi.

O Santo Homem concedeu aos seus algozes um perdão amplo, geral e irrestrito, e os presenteou com medalhinhas de Santo Onofre, lhes fazendo prometer que sempre as usariam sob as vestes e sobre o coração.

Ao ser encontrado por um grupo de repórteres italianos, o anoso sacerdote se declarou animado com o seu trabalho com os hereges.

Não seria difícil despertar suas vocações sacerdotais, afirmou. Eles já usam uma espécie de batina. Para se tornarem sacerdotes, é daqui para ali.

Américo posa com seus captores.

 

 

Dia de Papa

(18 de junho de 2004)

 

m outubro de 1978, com a inesperada e suspeita morte de do seu amigo pessoal Albino Luciani, mais conhecido como João Paulo I, o Santo Homem Américo foi chamado a Roma para participar do conclave para a eleição do próximo papa e um jantar de confraternização.

Fato pouco conhecido dos seus fiéis, o provecto sacerdote foi feito Cardeal pelo seu amigo Angelo Giuseppe Roncalli, o Papa João XXIII, no início dos anos sessenta - embora sempre tenha preferido ser uma eminência parda nos seus modestos trajes de Santo Homem - e é pessoa de livre trânsito e muitas amizades na cúria romana.

Por isso, não foi surpresa quando logo no segundo dia do conclave, Américo foi eleito como Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana, tendo escolhido o nome de João Paulo III.

Infelizmente, um pouco antes de soltarem a fumacinha branca do "habemus papa", os cardeais se deram conta de que não havia um João Paulo II e, por uma questão de ordem, a posse do Santo Homem teve que ser adiada, sendo eleito às pressas o seu amigo Karol Józef Wojtyla para um mandato tampão.

Tudo que restou ao anoso pastor de almas, foi uma batina branca assinada por todos os cardeais e alguns milheiros de impressos de sua bênção papal.

 

A bênção papal de Américo.

 

No Iraque

(21 de maio de 2004)

 

pedido do Vaticano, o Padre Américo esteve no Iraque, ajudando na fiscalização da prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdad, onde alguns prisioneiros reclamavam de maus-tratos.  Voltou encantado com os prisioneiros e recrutas.

– Jovens extremamente joviais  – comentou o Santo Homem – passavam o tempo todo brincando, pegando peças nos outros, apesar da diferença social entre eles, coisa que ficava bem visível no seu trajar. Enquanto os pracinhas usavam uniformes de extremo bom-gosto e qualidade, os pobres hereges mal tinham o que vestir, alguns deles tendo expostas as suas vergonhas; enquanto uns ocupavam confortáveis alojamentos, outros eram obrigados a dormir empilhados; uns comendo do bom e do melhor, outros sendo obrigados a consumir até coisas proibidas pela sua religião.

Depois de dois dias de rigorosa investigação, o velho sacerdote abençoou e perdoou a todos.

– Foi um perdão condicional – ressalva o sábio macróbio – os jovens soldados se comprometeram a não se aproveitar de sua posição de carcereiros para pegar os melhores lugares nas brincadeiras e regulamente inverter os papeis de quem bancava o dono ou o cachorro, de quem batia ou apanhava, além de se absterem de fazer gozações com pessoas que não entendiam a sua língua. Já os hereges ficaram de rezar uma Ave-Maria numa das vezes diárias em que se ajoelhassem para Meca.

E complementou com convicção:

– Nisso fui muito rigoroso. Ajoelhou, tem que rezar!

O Santo Homem – já sem o capuz que lhe cobria a cabeça – posa para uma foto dos GI Joes, que numa das suas brincadeiras o colocaram como árvore de natal, ligado à rede elétrica da prisão.

– O pior, reclama ele – foi que um engraçadinho colocou uma vela acesa embaixo da lata.

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A Ressaca

(17 de maio de 2004)

reocupado com o seu amigo e paroquiano Lula, acusado pela imprensa internacional de destemperança, alcoolismo e bebedeira, o Padre Américo esteve em Brasília para levar o seu apoio e perdão ao nosso presidente. Em conversa particular o sábio macróbio discutiu com o seu paroquiano sobre que medidas tomar para recuperar a sua imagem.

– Se bem conheço o meu velho amigo – afirmou o Santo Homem aos repórteres presentes – ele vai tomar todas.

O Santo Homem Américo explica ao nosso presidente que o sangue de Cristo tem poder e não o vinho de missa.

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O Santo Homem Américo Discursa na ONU

(26 de abril de 2004)

 

 pedido do seu amigo pessoal Wojtyla, que o considera o seu braço direito, só que sem o tremor, o Padre Américo foi à ONU, levando a mensagem de paz do Vaticano. "Nosso Sumo Pontífice encontra-se muito preocupado com a situação no Iraque", explicou o Santo Homem. "A falta de uma Igreja presente e atuante tem permitido que partidários de religiões alternativas venham promovendo a balbúrdia e uma escalada de violência, que atingiu níveis antes só encontrados nos morros cariocas. Tudo o que aquele povo precisa é de amor. E amor é tudo que temos para dar". Perguntado sobre o que achava do Secretário Geral Kofi Annan, o sábio macróbio declarou: "Excelente pessoa mas muito fraco como secretário. Durante todo o tempo que fiz o meu discurso em momento algum o vi tomar sequer uma anotação".

 


Representando o Vaticano, o Santo Homem Américo é recebido na ONU pelo Secretário Geral Kofi Annan, onde fez um aplaudido discurso, propondo como solução para o Iraque a retirada das tropas americanas, a serem substituídas por legiões de Jesuítas, que se encarregariam da catequese daqueles hereges.

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